O Ministério das Finanças aprovou a emissão de Obrigações do Tesouro (OT) no valor de 170 mil milhões de kwanzas (cerca de 161 milhões de euros) para capitalizar a TAAG, anunciou hoje a transportadora aérea angolana.
Lusa
A decisão surge “no âmbito do plano de sustentabilidade financeira e de transformação da companhia para o exercício económico de 2026”.
A operação, segundo um comunicado da TAAG, enquadra-se no regime jurídico aplicável à capitalização de empresas de domínio público e integra as “medidas estruturantes destinadas ao fortalecimento da solidez financeira da companhia aérea nacional”.
A TAAG adianta que a operação não corresponde a uma injeção direta de liquidez, mas à transferência de dívida pública para a companhia aérea de bandeira.
O reforço de capital permitirá, segundo a companhia, “consolidar a base financeira da TAAG, otimizar a gestão de recursos e reforçar a capacidade de resposta operacional”, bem como reforçar a disponibilidade operacional das aeronaves e a expansão sustentável da rede de destinos, promovendo maior conectividade regional e internacional.
“A concretização desta operação representa um passo estruturante no processo de reequilíbrio financeiro da TAAG. Este reforço de capital permite-nos acelerar o processo de modernização e de transformação, elevar a eficiência operacional e consolidar uma trajetória sustentável de crescimento e competitividade”, sublinha o presidente do Conselho de Administração, Clóvis Rosa, citado no comunicado.
O montante supera uma operação semelhante de 2023, quando o Estado emitiu 115 mil milhões de kwanzas com o mesmo objectivo, e surge depois de a TAAG ter encerrado 2024 com um resultado líquido negativo de 134,2 mil milhões de kwanzas (127,3 milhões de euros) e capitais próprios negativos de 21,4 mil milhões de kwanzas (20,3 milhões de euros).
Em paralelo, a TAAG ativou, em fevereiro, um plano de contenção de custos — o programa PALANCA, integrado no Plano Estratégico de Transformação 2025-2029 —, que inclui a suspensão temporária de contratações externas, promoções internas e despesas não essenciais.
A privatização da TAAG, sucessivamente adiada desde 2019, está prevista para ser concretizada por Concurso Limitado por Prévia Qualificação (CLPQ) ainda em 2026, segundo um Decreto Presidencial de 24 de fevereiro.
