Boato diz que Flávio Bolsonaro tenciona retirar o título de Padroeira do Brasil à Nossa Senhora Aparecida.
Uma polémica que mistura política e religião está a incendiar os últimos dias de campanha antes da primeira volta das presidenciais brasileiras, no domingo, depois de começarem a circular rumores de que Flávio Bolsonaro, se for eleito, tenciona retirar o título de Padroeira do Brasil à Nossa Senhora Aparecida com a conivência de setores evangélicos.
CM
A notícia, classificada quase unanimemente como ‘fake news’, alegava que Flávio, que é evangélico, mudaria o título de Nossa Senhora Aparecida para ‘Padroeira dos Brasileiros Católicos’, e não de todo o Brasil. Flávio tem negado veementemente essa intenção, mas a polémica espalhou-se como um rastilho de pólvora desde que, na noite de quinta-feira, uma comentarista política da Globo repercutiu a notícia, que foi depois rapidamente desmentida pela emissora
Entre sexta-feira e domingo à noite houve mais de 8,5 milhões de publicações e comentários sobre o tema nas principais redes sociais, transformando o assunto numa polémica nacional e dando-lhe um peso enorme na campanha presidencial, com efeitos que só poderão ser avaliados no domingo. Num país maioritariamente católico, Flávio Bolsonaro foi atingido em cheio, ainda mais que a campanha de Lula aproveitou a oportunidade e tem replicado insistentemente o boato, originado por uma afirmação do filho de Jair Bolsonaro, feita em agosto e tirada de contexto, de que o Brasil “pertence a Jesus Cristo”.
Flávio Bolsonaro queixou-se ao Tribunal Superior Eleitoral, mas os juízes recusaram mandar retirar a publicação enganosa, levando fonte da campanha de Bolsonaro a acusar o Tribunal de “permitir a circulação de um conteúdo considerado falso para favorecer Lula e seu grupo político nas eleições”.
