Papa rejeita “lógica de vingança” e “vontade de dominar”

Leão XIV despediu-se de França com apelo ao regresso aos valores cristãos para combater a “barbárie” dos tempos modernos.

O Papa Leão XIV despediu-se esta segunda-feira de França com um forte apelo ao regresso aos valores cristãos que foram determinantes na criação da identidade europeia como a melhor forma de combater a “barbárie” dos tempos modernos e a “vontade de dominar” que está na origem de tantos conflitos.

CM

“Hoje em dia, as relações humanas e entre os Estados tornam-se cada vez mais bárbaras. O direito internacional e o multilateralismo são o melhor antídoto contra a vontade de dominar que está na origem de cada disputa”, defendeu o Sumo Pontífice num encontro com responsáveis religiosos e políticos que decorreu no Centro de Congressos Robert Schuman, em Metz, uma escolha com duplo simbolismo; se, por um lado, Schuman foi um dos ‘pais’ da União Europeia, já a cidade de Metz, ocupada pela Alemanha nazi na II Guerra Mundial, é vista como um símbolo de reconciliação. “Nos últimos 80 anos, a Europa mostrou amplamente que é possível conciliar opiniões, reivindicações e interesses divergentes através do diálogo e não do conflito”, afirmou o Papa, sublinhando a importância do “diálogo paciente, da coragem negocial e de estar disposto a ceder em nome do bem maior da paz” e rejeitando a “lógica impiedosa da vingança”.

Leão XIV alertou ainda para a “ilusão do rearmamento”, afirmando que os apelos ao aumento das despesas militares “são apresentados por muitos governantes com a justificativa da periculosidade alheia”. “É preciso perguntar-nos se estamos realmente a envidar esforços para promover a paz mundial ou se estamos simplesmente a conter a hemorragia da guerra”, afirmou o Sumo Pontífice, que voltou ao tema da paz e da reconciliação pouco depois, na sua homilia na Catedral de Santo Estevão, último ato oficial da sua visita de três dias a França. Referindo-se aos vitrais desenhados pelo pintor judeu Marc Chagall como um “extraordinário símbolo economénico e diálogo inter-religioso”, Leão XIV sublinhou que o futuro da Europa “não reside na uniformidade, mas na harmonia das diferenças, onde a ferida do passado se torna uma fresta por onde a luz pode entrar”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *