Confiante após a vitória por mais de dois milhões de votos na primeira volta das presidenciais do Brasil, contra todas as previsões das sondagens, Flávio Bolsonaro decretou o fim do que chamou “a era do PT” e reafirmou que o resultado das urnas mostra que o país quer a mudança.
“Fiquei feliz pelos brasileiros que não se omitiram e queriam essa mudança. É o fim da era do PT. Está decretado o fim da era do PT. Eu estou muito feliz com a possibilidade real de, daqui a três semanas, o Brasil dar uma resposta definitiva, que é um governo moderno, com menos ministérios, que vai resgatar a democracia, que vai indicar pelo menos quatro juízes para o Supremo Tribunal Federal, que não vai interferir em eleições”, afirmou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio, do Partido Liberal (PL), esteve boa parte da noite eleitoral acima dos 50% dos votos, que lhe dariam a vitória imediata, e só a contagem dos votos da região Nordeste, reduto do presidente, Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), encurtou essa vantagem e força a realização de uma segunda volta, no dia 25.
O candidato do Partido Liberal teve uma votação expressiva em todas as regiões do Brasil, mas com especial força nos três estados do sul – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – além de São Paulo e Rio de Janeiro, compensando a votação massiva de Lula no Nordeste. Com isso, o filho mais velho de Jair Bolsonaro superou as votações que o pai obteve em 2018, quando foi eleito presidente, e em 2022, quando foi derrotado por escassa margem.
Ao longo da campanha, Flávio enfrentou a rejeição de aliados que não acreditaram no êxito da sua candidatura, foi alvo de acusações sobre a sua ligação ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes, e de uma notícia falsa que o acusava de querer tirar o título de Padroeira do Brasil à Nossa Senhora Aparecida. Na reta final, foi ainda acusado por um ex-sócio de ter participado em orgias com prostitutas, mas nada disso abalou os seus apoiantes.
Flávio prometeu uma segunda volta limpa, com discussão de propostas, e esta segunda-feira já se reuniu em Brasília com assessores e vários aliados eleitos com votações esmagadoras. Vai ainda apelar aos candidatos derrotados para que o apoiem na segunda volta e chamar eleitores que se abstiveram mas que podem apoiá-lo agora ao perceberem que, afinal, a sua candidatura é viável.
Lula surpreendido com derrota na primeira volta
O presidente e candidato à reeleição Lula da Silva admitiu ter ficado “desapontado” e “surpreendido” por ter ficado atrás de Flávio Bolsonaro na primeira volta, mas tentou animar aos seus incrédulos assessores e apoiantes, prometendo uma vitória no “prolongamento”, como chamou à segunda volta, marcada para dia 25. “O resultado muitas vezes é inesperado, a gente nunca consegue tudo aquilo que a gente queria. Eu confesso para vocês que eu estava convencido que ia ganhar as eleições na primeira volta. Mas temos a segunda volta, e a segunda volta é a prova dos nove”, afirmou o veterano político, que completa 81 anos no próximo dia 27, sem esconder o desalento.
Mas, ao seu estilo de nunca desistir, Lula já viajou esta segunda-feira de São Paulo, onde votou, para Brasília, e à noite os coordenadores da sua campanha já se reuniram para analisar os erros da primeira ronda e planear a estratégia para a segunda. Análises de assessores feitas sob anonimato avançam que Lula errou ao minimizar a força de Bolsonaro, a quem chegou a classificar como “um ninguém”, e ao proibir as empresas de apostas online na véspera da ida às urnas, o que pode ter irritado adeptos dos clubes que ficaram sem patrocínio, mas o ainda presidente mostra-se confiante.
“A partir de amanhã (segunda-feira) começa uma nova campanha, uma campanha apenas entre dois candidatos em que vamos mostrar a diferença que existe entre as nossas propostas para o Brasil. Eu sou muito bom no ‘mata-mata’. O jogo vai começar, estamos no prolongamento e vamos convencer o povo brasileiro a continuarmos um projeto de desenvolvimento”, prometeu no domingo o candidato, lembrando que a diferença para o adversário foi de pouco mais de dois milhões de votos mas que 33 milhões de pessoas não foram votar, e é nelas que ele aposta para reverter a desvantagem.
