Estudantes franceses voltam às ruas em mais um dia de protesto e bloqueios

Sindicatos de professores também se mobilizaram para a nova onda de protestos.

Os estudantes franceses do ensino secundário voltaram às ruas para um novo dia de mobilização. Manifestam-se contra a falta de professores e funcionários, as condições dos estabelecimentos de ensino e a dimensão das turmas, assim como as dificuldades de acesso ao ensino superior, num contexto de aumento do custo de vida. Esta terça-feira foram registados novos bloqueios nas escolas secundárias, com barreiras improvisadas com recurso a caixotes do lixo e cartazes onde se pede a mudança do sistema. Estão marcadas marchas de protesto nas cidades de Lyon e Nantes. Em Paris, várias escolas permanecem fechadas, avança o Le Parisien. 

A ativista Greta Thunberg está presente nos protestos desta terça-feira, em frente à escola Paul-Éluard, em Saint-Denis, um dos epicentros do movimento estudantil, preparada para “realizar uma corrente para proteger os estudantes”, apontam os meios de comunicação franceses. “Justiça social e justiça climática andam de mãos dadas”, declarou Greta Thunberg

Os sindicatos de professores também se mobilizaram para a nova onda de protestos. “Pela educação pública e pelos jovens, por condições de trabalho e estudo dignas, por melhores salários e reconhecimento para os funcionários, vamos unir-nos ao movimento a 13 de outubro”, escreveu o SNES-FSU. 

O movimento estudantil, que começou os primeiros protestos em meados de setembro nas escolas nos arredores de Paris, deu origem a uma das maiores vagas de protestos no país. Depois de o ministro da Educação ter prometido mais 3 mil professores para as escolas secundárias onde a situação é mais crítica, os estudantes continuam a exigir a alteração ao funcionamento da Parcoursup, a plataforma estatal usada para as candidaturas ao ensino superior e que está a gerar críticas devido à falta de transparência, segundo as reivindicações dos estudantes. 

As manifestações ficam marcadas por vários casos graves de ferimentos em jovens e alguns menores, incluindo perdas de visão, mãos arrancadas e lesões na cabeça provocadas por disparos à queima-roupa. O ministério do Interior confirmou que foram abertos 10 inquéritos internos para apurar alegados excessos de força policial. O balanço mais recente das autoridades francesas aponta para mais de 6 mil detidos, a maioria menores. 

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