O nacionalista Ngola Kabango, convidou o presidente da FNLA, Nimi-a-Nsimbi, para “arrumar democraticamente, as suas malas” e juntar-se a sua família, deixando este partido histórico e que foi movimento de libertação de Angola em paz.
O convite surgiu no termo da reunião do Comité Central desta formação política, que deliberou este fim-de-semana, formalmente a destituição de Nimi a Nsimbi do cargo de presidente do partido.
“Basta Nime-a-Nsimbi, deixa o nosso gloriosa a FNLA em paz”, disse o também antigo presidente do partido.
A reunião extraordinária foi impulsionada por mais de metade dos membros do Comité Central que registou um quórum deliberativo de 52% de membros.
Face a situação, o Comité Central convocou um Congresso Extraordinário da FNLA marcado para os dias 30 e 31 de Outubro de 2026, com o objetivo de reestruturar a liderança.
O afastamento decorre de uma longa crise interna e de acusações contra Nimi a Simbi sobre violações estatutárias, má gestão e o adiamento unilateral de reuniões e congressos.
De acordo com os estatutos da FNLA, o Comité Central tem competência para autorizar ou convocar o congresso, especialmente em situações de crise interna ou deliberação de mais de metade dos seus membros (50%+1).
O Tribunal Constitucional (TC) tem reiterado em acórdãos (como o Acórdão n.º 362) que o Comité Central é órgão com legitimidade e papel central na convocação e regularidade dos congressos do partido.
O acórdão nº1134/2026, deliberou num prazo de 90 dias para realizar o congresso ouvindo o Comité Central, e Nimi-a.Nsimbi, durante uma reunião do Bureau Político do seu partido, remarcou o congresso 25 a 27 de Novembro, conclave inicialmente previsto para 23 a 25 de Setembro.
A alteração unilateral da data pelo Bureau Político foi “fortemente criticada” por alas internas lideradas pelo antigo dirigente Ngola Kabangu, que classificou a decisão como uma “violação grosseira dos estatutos”, argumentando que a alteração de datas é competência exclusiva do Comité Central.
O Comité Central que tem a legitimidade de convocar o congresso, admitiu as candidaturas dos militantes, Carlitos Roberto, (filho do fundador da FNLA), António Pedro Gomes, Daniel Afonso, Kiaku Kiala Samuel e Sofia Rodrigues Coelho Francisco.
O presidente do partido também já formalizou a sua candidatura a sua própria sucessão.
Ao Novo Jornal, a direcção de Nimi- a -Simbi considera ilegal a reunião extraordinária do Comité Central da FNLA que deliberou a sua destituição do cargo de presidente do partido.
João Roberto Soki, membro da direcção de Nimi a Simbi, desvalorizou as deliberações saídas da reunião, defendendo que os actos aprovados não produzem efeitos por alegado incumprimento das normas estatutárias e por falta de quórum necessário.
