Mulher foi violada duas vezes, estrangulada até perder os sentidos e sofreu uma fratura num osso da cara.
Um homem começou a ser julgado no Reino Unido por ter violado uma rapariga há 23 anos, um crime que esteve na origem de um dos mais notórios erros judiciais da recente história britânica. O caso levou à condenação injusta de Andrew Malkinson, que passou mais de 17 anos na prisão por um crime que não cometeu.
Paul Quinn, de 51 anos, responde agora em tribunal por dois crimes de violação ocorridos em 2003, um com tentativa de estrangulamento e outro de agressão com intenção de causar ofensas corporais graves. O arguido nega todas as acusações.
Segundo o jornal The Guardian, a vítima foi alvo de violência sexual “da mais grave natureza”. A mulher foi violada duas vezes, estrangulada até perder os sentidos e sofreu uma fratura no osso da face após ter sido atingida com um golpe.
A acusação sustenta que o agressor era um completo desconhecido da vítima e que terá seguido a mulher até uma zona isolada, próxima de uma ponte sobre uma auto-estrada, onde lançou subitamente o ataque. De acordo com o procurador, o local escolhido indica conhecimento prévio da área e intenção de retirar a vítima da vista de quem passava na estrada.
Andrew Malkinson foi inicialmente associado ao crime por dois agentes da polícia, que consideraram que correspondia à descrição fornecida pela vítima. No entanto, a mulher acreditava que o agressor teria uma marca visível no rosto resultante da luta, algo que Andrew Malkinson não apresentava quando foi abordado pelas autoridades.
Na altura, Andrew Malkinson trabalhava como segurança num centro comercial local. Após um desentendimento com as pessoas com quem vivia, informou que iria viajar para os Países Baixos, uma decisão que aumentou as suspeitas dos investigadores. Acabaria por ser detido pouco depois numa pensão.
Duas testemunhas identificaram Andrew Malkinson em sessões de reconhecimento, afirmando ter visto o agressor a suar abundantemente pouco depois do ataque. Contudo, foi revelado em tribunal que uma das testemunhas identificou inicialmente outro homem antes de, mais tarde, identificar Malkinson. A acusação reconheceu que estas identificações foram erros “honestos e genuínos”.
O avanço no caso surgiu com novos testes forenses que detetaram o ADN de Paul Quinn na roupa e no corpo da vítima. Segundo o Ministério Público, não existe “qualquer explicação alternativa plausível” para a presença desse ADN.

