Angola está entre as economias mais beneficiadas em África devido à guerra dos EUA e Israel contra o Irão, devido à subida dos preços do petróleo e melhores condições financeiras da dívida.
Angola está entre as economias mais beneficiadas em África devido à guerra dos EUA e Israel contra o Irão, devido à subida dos preços do petróleo e melhores condições financeiras da dívida.
“Se o petróleo se mantiver a cerca de 85 dólares por barril, Angola, Nigéria e Gana verão a sua balança corrente melhorar, enquanto a República Democrática do Congo, África do Sul e Quénia estarão entre os mais afetados”, de acordo com a analista da Bloomberg Economics Yvonne Mhango, que alerta, ainda assim, para outros efeitos negativos.
“Para a maioria das economias africanas, preços mais altos do petróleo significam moedas mais fracas e renovada pressão sobre a inflação, o que poderia colocar novamente em discussão uma subida nas taxas de juro”, acrescentou.
No caso de Angola, a balança corrente deste país africano lusófono poderá beneficiar em até 3,3% do PIB, de acordo com o relatório da analista, no qual se afirma que os países produtores de petróleo, liderados pela Nigéria, beneficiam não apenas com o aumento do preço do petróleo bruto, mas também com as exportações de combustível.
O bilionário nigeriano Aliko Dangote admitiu esta semana a possibilidade de enviar mais produtos da sua refinaria de petróleo de 650 mil barris por dia para a Europa, se o preço for justo, lembra a Bloomberg.
O preço do petróleo de Brent nos mercados internacionais aumentou quase 14% desde segunda-feira, para 83 dólares, mas os analistas que têm falado sobre as consequências deste aumento nas economias africanas produtoras de petróleo salientam que o impacto é, para já, de curto prazo e ainda não reviram as previsões para o final do ano.
Nos mercados financeiros, o ganho está a ser imediato, já que os juros exigidos pelos investidores para transacionarem a dívida pública no mercado secundário estão a melhorar pelo segundo dia consecutivo.
A diferença dos juros dos títulos africanos em dólares sobre os títulos do Tesouro dos EUA diminuiu cerca de sete pontos base para 339, de acordo com o índice da JPMorgan, onde estão os Eurobonds de Angola, que lideraram os ganhos, recuando 4 pontos base para 10,56%.
Mesmo antes do ataque ao Irão, os países africanos já estavam a beneficiar de uma melhoria das condições financeiras, aproveitando os juros mais baixos para elevar a emissão de títulos de dívida nos primeiros dois meses do ano para quase 6 mil milhões de dólares (cerca de 5 mil milhões de euros), o valor mais alto desde 2013.
“Os investidores reagiram positivamente às reformas orçamentais em países como a Nigéria e a África do Sul, as agências de notação financeira melhoraram os ratings” em países como a Costa do Marfim, e o Quénia e o Egito fizeram acordos com o Fundo Monetário Internacional, credibilizando a agenda reformista interna, aponta ainda a Bloomberg.

