Luanda comunicou a Moscovo detenção de russos ligados ao Grupo Wagner por associação criminosa e terrorismo

Detidos são acusados de pertencerem à África Politology, uma das principais plataformas de desinformação no continente africano do Grupo Wagner, o grupo paramiliar russo de Prigozhin.

As autoridades angolanas comunicaram ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia a detenção de dois russos em Luanda, adiantou esta quarta-feira o Serviço de Investigação Criminal (SIC). A informação foi dada numa conferência de imprensa na qual o SIC apresentou dois russos e dois angolanos, presos preventivamente, suspeitos dos crimes de associação criminosa, falsificação de documentos, terrorismo e financiamento ao terrorismo.

De acordo com uma nota do SIC, o juiz de garantias decidiu restituir a liberdade a um terceiro angolano, mas mediante termo de identidade e residência, depois de ter sido detido na semana passada no âmbito do mesmo caso.

“Realçar que as nossas investigações determinaram que os cidadãos russos são operacionais da organização África Politology, que dentre várias missões a sua atividade visa promover campanhas de desinformação, manipulação da mídia local e infiltração em processos políticos, sobretudo, no fomento da subversão”, refere-se na nota do SIC

A África Politology é uma das principais plataformas de desinformação no continente africano do Grupo Wagner, contingente paramilitar russo criado por Yevgeny Prigozhin.Os russos terão igualmente, segundo o SIC, entregado “avultadas somas de dinheiro, em moeda nacional e estrangeira, a jornalistas, políticos, associações profissionais e produtores de conteúdos digitais para dar suporte à sua acção”.

A investigação apurou ainda, prossegue o SIC, que a organização Africa Politology não actua apenas com propaganda digital e notícias falsas, mas “financia manifestações encenadas, corrompe jornalistas locais e molda narrativa pública a favor dos seus interesses estratégicos”.

Com as suas investigações, o SIC conseguiu frustrar várias manifestações que estavam agendadas para as províncias de Luanda e Benguela, avançou o porta-voz, Manuel Halaiwa, sublinhando ainda que as investigações prosseguem para a detenção de outros suspeitos e o esclarecimento total destes crimes.

No acto de detenções, a investigação criminal apreendeu vários equipamentos, como computadores, telemóveis e ainda diversos documentos, dos quais alguns codificados, bem como, somas em moeda nacional e estrangeira.

Questionado sobre o “avultado” montante entregue pelos cidadãos russos aos cidadãos nacionais, Manuel Halaiwa referiu que “neste momento há um escrutínio a ser feito sobre todas as transferências monetárias que foram feitas em vários pontos, a vários beneficiários”.

“Falamos aqui de vários grupos de pessoas, jornalistas, políticos, para depois em momento próprio trazermos a público o montante exato, mas sabemos que temos valores em kwanzas, em moeda estrangeira, quer dólares norte-americanos quer rublos, que é a moeda russa”, salientou.

Manuel Halaiwa acrescentou que toda esta situação ocorre num momento em que o país registou “grandes tensões sobre os últimos acontecimentos”.

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