Oposição brasileira protesta contra homenagem a Lula no Carnaval do Rio

Partidos da oposição brasileira anunciaram hoje que vão avançar judicialmente contra o Presidente, Lula da Silva, por considerarem que usou a homenagem duma escola de samba como plataforma para uma campanha eleitoral antecipada, financiada com dinheiro público.

De acordo com a Lusa a homenagem da escola de samba Académicos de Niterói, no Carnaval do Rio, tem sido polémica desde o anúncio, por ocorrer antes do início oficial da campanha eleitoral, a menos de oito meses das próximas eleições presidenciais, às quais Lula se recandidata.

Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e pré-candidato presidencial, anunciou, nas redes sociais, que vai apresentar “rapidamente” uma queixa ao Tribunal Eleitoral sobre os “crimes” cometidos “com dinheiros públicos” pelo Partido dos Trabalhadores, liderado pelo atual Presidente.

O Partido Novo, de direita, liderado pelo governador de Minas Gerais e também pré-candidato presidencial, Romeu Zema, anunciou igualmente que vai pedir a cassação da candidatura de Lula assim que este formalizar o registo no Tribunal Eleitoral, no segundo semestre do ano.

Segundo o partido, Lula utilizou um evento cultural de grande dimensão para promover a sua imagem pessoal antes das eleições.

O argumentista do desfile, Igor Ricardo, disse à agência EFE que a intenção “não era eleitoral”, mas sim retratar a história de uma pessoa que veio “de baixo” e “venceu”.

A estátua de Lula, com 18 metros, foi a estrela do desfile que revisitou a vida do líder progressista, desde o seu nascimento no nordeste empobrecido do Brasil e as dificuldades que enfrentou na infância até à sua ascensão como líder sindical e à sua eleição como o primeiro Presidente operário do Brasil.

Entre dezenas de alusões à política local, encontrava-se um palhaço gigante sentado num carro alegórico, atrás de grades, com uniforme de recluso e pulseira eletrónica, representando Jair Bolsonaro.

A mulher do líder de extrema-direita, Michelle Bolsonaro, manifestou a sua indignação nas redes sociais com o que chamou de “humilhação” da fé cristã devido a outras imagens exibidas.

O deputado federal Nikolas Ferreira, do Partido Liberal, publicou um excerto do desfile e escreveu, numa mensagem dirigida aos cristãos evangélicos: “Lembrem-se disto quando forem votar este ano”.

Lula, também nas redes sociais, e sem se referir à homenagem, elogiou o Carnaval do Rio, dizendo que os desfiles do Sambódromo mostram ao mundo “a força” e a “criatividade” das escolas de samba e do povo brasileiro.

O Presidente assistiu ao desfile a partir do camarote da Câmara Municipal, no Sambódromo, acompanhado pela mulher, Rosângela ‘Janja’ da Silva, diversos ministros e políticos.

O Tribunal Eleitoral indicou que o desfile poderá ser alvo de uma investigação, cuja resolução poderá resultar numa multa entre 5.000 e 25.000 reais (entre 850 e 4.000 euros).


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