O Governo angolano anunciou, nesta segunda-feira, 31, que está prestes a iniciar a exploração de nióbio no país, concretizando a entrada de Angola no restrito grupo mundial de produtores deste minério, actualmente constituído apenas pelo Brasil e pelo Canadá.
Lusa
Ainda este ano deverá arrancar, no município de Quilengues, província da Huíla, a exploração de nióbio, um metal utilizado sobretudo para aumentar a resistência do aço e de outras ligas ao calor e à corrosão. O anúncio foi feito pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, em Luanda, à margem da cerimónia comemorativa dos 32 anos do bloco petrolífero 15.
O governante visitou, no fim-de-semana, o Complexo Carbonatito de Bonga e Tchivira, em Quilengues, onde será desenvolvido o projecto de exploração. O nióbio é utilizado em sectores como a indústria aeroespacial e automóvel, no fabrico de turbinas, na siderurgia e na construção civil. O Brasil e o Canadá estão entre os principais produtores mundiais, pelo que Angola poderá tornar-se o terceiro produtor e o primeiro em África.
“Quase 90% das reservas conhecidas mundialmente estão num único país, o Brasil, e isso torna-o um mineral crítico para o mundo. Ao entrarmos na produção deste mineral, passaremos a fazer parte desse clube muito restrito”, salientou Diamantino Azevedo, acrescentando acreditar que, a partir de Quilengues, “vai começar a fazer-se história para o desenvolvimento de Angola”.
O ministro lembrou que o potencial de nióbio em Angola foi identificado há alguns anos por professores e estudantes da Faculdade de Ciências, que descobriram o que classificou como um “minério muito importante da economia mundial”. “Depois de vários anos, este ano Angola passará a fazer parte do clube restrito dos países produtores de nióbio”, afirmou.
Em 2020, foi concedida à empresa chinesa Sociedade NIOBONGA – Comércio Geral autorização para a exploração e prospecção do minério, num projecto avaliado em 136,6 milhões de dólares. Segundo dados oficiais, a fase de prospecção já permitiu extrair cerca de 40 mil toneladas de nióbio.
