Atacante encerra ciclo de 23 anos defendendo Portugal após atrito com o técnico Jorge Jesus. Relembre o caso
Cristiano Ronaldo anunciou a aposentadoria da seleção portuguesa nesta quinta-feira. Aos 41 anos, o atacante encerra uma trajectória de 23 anos com a equipe nacional, marcada por recordes e conquistas inéditas. A decisão acontece semanas depois de um atrito com o técnico Jorge Jesus, em meio aos compromissos da Data Fifa entre setembro e outubro.
O veterano indicou após a Copa do Mundo que pensou em encerrar a trajetória na seleção portuguesa, mas que ouviu de Jorge Jesus – com quem trabalhou no Al-Nassr na temporada passada – que gostaria que ele seguisse em ação. Os dois trocaram elogios em uma entrevista coletiva antes dos jogos da última Data Fifa, mas a relação se deteriorou em poucos dias.

O atrito, desta forma, teve enorme peso para a decisão de aposentadoria da seleção antes mesmo do fim do ano. A imprensa portuguesa apontou que CR7 não deseja mais jogar na equipe enquanto Jesus estiver no comando – apesar de o técnico ter deixado portas abertas ao jogador, e a federação portuguesa manifestar sua vontade para que o craque seguisse no time.
Da harmonia ao caos
A relação entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus ficou estremecida na primeira Data Fifa dos dois juntos na seleção. Cristiano Ronaldo foi titular da seleção portuguesa na estreia na Liga das Nações, diante do País de Gales – também o primeiro jogo de Jorge Jesus no comando da equipe. Ele atuou por 67 minutos, um dia depois de ouvir muitos elogios do Mister em uma entrevista coletiva na qual estiveram lado a lado. Jesus chegou a dizer que CR7 era um símbolo de Portugal, embora tenha indicado que as decisões sobre sua escalação ou não seriam apenas da comissão técnica.
O ótimo clima entre os dois, que trabalharam juntos por um ano no Al-Nassr, azedou no duelo contra a Noruega, no domingo. Nessa partida, CR7 começou no banco de reservas, dando lugar a Gonçalo Ramos, algo que já havia sido indicado pelo treinador antes. Porém, houve uma divergência com relação à utilização de Cristiano na reta final da partida.
O camisa 7 foi para o aquecimento junto aos outros reservas logo depois do intervalo. E, em meio ao desenrolar do jogo, não foi a campo, vendo Gonçalo Ramos fazer o gol que garantiu a vitória para Portugal, fora de casa. A polêmica começou assim que a partida terminou: Cristiano Ronaldo deixou o campo logo após o apito final, demonstrando irritação.
Primeiramente, o Mister negou que “havia caso” entre ele e Cristiano Ronaldo, rechaçando a polêmica e indicando que, apesar de ter planejado utilizar o craque por “20 a 30 minutos contra a Noruega”, o jogo mudou seus planos. Jorge Jesus apenas admitiu que “o que fez de mal” foi colocar o camisa 7 para aquecer logo após o intervalo.
O ex-treinador do Flamengo, porém, aproveitou para deixar claro que, “apesar do estatuto” de Cristiano Ronaldo na seleção, as escolhas sobre a utilização dos atletas são apenas do treinador. Logo após a coletiva, Cristiano foi visto deixando o Estádio Parken, ainda antes do início do treinamento da véspera do jogo.
Quebra de confiança
O atacante afirmou que havia recebido garantias do treinador sobre sua participação na seleção e que o comandante português não cumpriu o que havia sido combinado.
Segundo o jogador, os dois tiveram uma conversa antes do início dos compromissos de setembro, na qual o técnico apresentou um planejamento para sua utilização. Cristiano Ronaldo também relatou que, depois do episódio contra a Noruega, participou de uma reunião com Jesus e representantes ligados ao Al-Nassr para tentar resolver o problema.
O camisa 7 afirmou que ficou acertado que o treinador explicaria publicamente o planejamento e reconheceria que havia cometido um erro ao colocá-lo para aquecer sem utilizá-lo. No entanto, Cristiano considerou que a entrevista coletiva de Jorge Jesus não correspondeu ao que havia sido combinado em particular.
Recordes e títulos por Portugal
Cristiano Ronaldo encerra uma das trajetórias mais marcantes da história do futebol de seleções. A estreia do craque em Portugal aconteceu em agosto de 2003, e, ao longo de 23 anos, o atacante se tornou um símbolo do país, se consolidando como o maior jogador da história do futebol local: aquele que tem o maior número de gols, de jogos e de Copas do Mundo disputadas, além de troféus conquistados.
Cristiano Ronaldo marcou 146 gols ao longo de 234 jogos com a camisa de Portugal, sendo o maior artilheiro da história de todas as seleções masculinas. Ele foi o líder do time na conquista de títulos inéditos para o futebol português, com destaque para a Eurocopa, em 2016, após uma final contra a França, que era anfitriã do torneio.

Portugal também faturou duas edições da Liga das Nações, em 2019 e 2025, na era Cristiano Ronaldo – quando passou a ter presença constante em Copas do Mundo. Assim, CR7 disputou seis edições do Mundial, sendo a última em 2026, aos 41 anos de idade. Ele se tornou o primeiro jogador a marcar gols em cinco edições diferentes da Copa.
Apesar de encerrar a carreira por Portugal, seguirá atuando pelo Al-Nassr, da Arábia Saudita. Ele agora persegue outra marca pessoal: chegar ao milésimo gol da carreira. Neste momento, ele soma 985, estando a 15 do número sonhado.

