A estilista Rose Palhares admitiu em entrevista ao Radar Informativo, que a indústria têxtil tem dificuldades de obter técnicos angolanos qualificados, porque a juventude não quer se dedicar a essa classe profissional
Manuel Sabrita
Rose Palhares sustenta dizendo, “os jovens que deveriam estar a ocupar esses lugares para alavancar a indústria têxtil, não aceitam se dedicar a essa classe profissional. Dá-me a sessão que a juventude não querer comprometimento com a indústria de designer, mas querem receber resultados. Eles querem chegar em lugares altos, mais não querem dar tanto de si. Eles querem dever, mais não querem obrigações. Está a faltar na nossa juventude essa informação e esses exemplos’’, disse, tendo exemplificado que, “temos que mostrar aos jovens como é que subimos na vida.
“Hoje não temos nada e amanhã aparecemos. De repente deu certo. Temos que começar a mostrar como é que passamos na vida para sermos o que somos hoje. O que nos faz crescer na vida são as dificuldades e as quedas. Para crescemos e criamos empregos para a juventude é necessário que haja o incentivo do Executivo que deveria ajudar o crescimento dessa indústria’’, alerta.
Reconhece as grandes dificuldades que passam os designers da moda e os estilistas no país, ‘’o que acontece é a falta da matéria prima nacional de qualidade. Temos matéria prima que vem do exterior e é vendida em Angola. Mas o nosso material o seu acesso é com muitas dificuldades’’, enfatiza.
Esta no mercado da moda a 14 anos, e tem como intenção acordar e promover a indústria têxtil ‘’para podermos promover empregos a juventude, assim como impulsionar a classe baixa para a categoria média, ‘’entrei nesse mercado com o objectivo de ‘acordar’ e promover a indústria têxtil com a intenção de promover empregos para a juventude’’, disse.
‘’Há falta da indústria têxtil dificulta o nosso trabalho’’ A também graduada em designer de moda pela Universidade do Vale do Itajai em Santa Catarina no Brasil, assegura que essa indústria andou muitos anos adormecidos.
‘’Já senti muito mais dificuldades do que hoje em dia. Quando temos dificuldades temos dois caminhos a percorrer desistir ou arranjar novas formas de concretizar. Muita coisa que estou a fazer hoje, gostaria que fosse a 14 anos atrás. Não foi possível, mas isso não me impediu de continuar. A falta de uma indústria têxtil dificulta, sim, o nosso trabalho. Poderíamos estar num outro patamar, mas as vezes penso que nos estamos a querer se comparar com países desenvolvidos, e não é o correcto’’.
Em 2010 fundou a marca ‘Kivesty’, especializada em tecidos africanos, num estilo urbano, com uma linha variada de moda feminina.
“Para conseguir o reconhecimento da minha etiqueta fiz aquilo que é nosso e com o objectivo de outras portas se abrirem. O que chegou de acontecer. Fui mostrando que é possível. Com a intenção para acordamos uma indústria. Depois de ter passado muitos anos em Portugal, porque sai de Angola com 12 anos e regressei para criar as minhas próprias marcas. Depois de dois anos a tentar afirmar-me no mercado e foi distinguida pelo Moda Luanda e no Angola ‘Fashion Week’ em 2015. A Textang II estava inactivo e muitas das fábricas que hoje estão no mercado não existiam’’, lembra.
Afirma a maioria das fábricas que existem no país são de uniformes, ‘’trouxe algo diferente, através da moda, porque toda agente precisa de se vestir. Existe muitos países a ganharem dinheiro e prestígio, porque promovem a sua economia através da moda e do têxtil, porquê é que nós não podemos pensar da mesma maneira?’’, questiona-se, tendo asseverado, que, ‘’hoje o mercado da moda esta muito diferente.
“Temos uma indústria mais acordada e que não faz tanto como nos queríamos, mas já começamos a ter outros ‘players’ que já conseguem dar respostas’’. Refuta a teoria segundo a qual o Executivo não esta a fazer nada para essa indústria, ‘’dizer que não se esta a fazer nada seria mentira, porque faço parte da associação das indústrias têxteis de Angola, sei que existe várias normas jurídicas nessa área. Há muita coisa que se quer aplicar. Cortar é mais rápido do que construir. Infelizmente temos uma economia têxtil que é circular e precisa de certos elementos para dar resposta a outros. A base não esta feita com consistência. Quando a base falha todo falha. A base esta a falhar e os resultados não são os melhores e alguns se contentam com isso. Outros trabalham para serem diferentes. Se todos nos uníssemos para a mesma direcção seria mais fácil, mas tenho a certeza que isso não vai dar certo, porque existem interesses individuais e o ego esta acima de todo’’.
