A secretária de Estado para Acção Social, Dina Mayomona, informou que 9. 072 casos de violência contra crianças foram registados, no primeiro semestre de 2026, em Angola. A governante falava na abertura do simpósio sobre “Prevenção e combate ao abuso sexual de menores”, que decorre sob o lema “Cuidar e proteger a criança é construir uma sociedade sã”.
Adiantou que do referido número 645 correspondem a situações de violência sexual, 2.415 violência física e 1.010 violência psicológica.
Disse que em 2025 foram registados 26.024 casos de violência contra crianças, sendo 1.028 de violência sexual, 1.376 de violência física e 994 de violência psicológica.
Alertou que os números devem ser encarados para além das estatísticas, com grande responsabilidade, uma vez que representam crianças e famílias confrontadas com situações que exigem respostas concretas das instituições do Estado e da sociedade.
“Por detrás de cada número está uma criança, uma família, está uma história que exige de nós atenção, responsabilidade e capacidade de agir”, sublinhou.
A secretária de Estado disse que a prevenção e o combate à violência contra menores não pode ser responsabilidade de uma única instituição, defendendo uma intervenção conjunta do Estado, das famílias, escolas, comunidades, organizações da sociedade civil e igrejas.
A governante apelou aos líderes religiosos para o reforço dos mecanismos internos de protecção infantil e a assumirem um papel mais activo na prevenção, identificação de sinais de risco, orientação das famílias e encaminhamento de casos às autoridades competentes.
Disse que o silêncio perante situações de abuso não pode ser utilizado para preservar a imagem de uma família, comunidade ou instituição, considerando que a prioridade deve ser sempre a segurança e a dignidade da criança. Considerou necessário consolidar uma verdadeira rede de protecção que reúna o Estado, famílias, igrejas, escolas, comunidades e organizações da sociedade civil.
A rede, explicou, deve ser capaz de prevenir situações de violência, identificar sinais de risco, acolher denúncias, encaminhar os casos e proteger as vítimas sem as expor ou revitimizar.
Manifestou a expectativa de que o simpósio produza compromissos e recomendações capazes de se transformar em práticas concretas de prevenção, denúncia, encaminhamento e acompanhamento dos casos de violência contra crianças.
Reafirmou que o Executivo angolano tem vindo a reforçar as políticas, os programas e os mecanismos destinados à promoção e protecção dos direitos da criança, reconhecendo que a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e segura começa, necessariamente, pela forma como se cuidam e protegem as crianças.

