Bayern x Real Madrid: Na boca do leão

A Allianz Arena tem feito a mesma coisa durante toda a temporada europeia: devorar adversários. Chelsea, Club Brugge, Sporting Lisboa, Union Saint-Gilloise e Atalanta são apenas algumas de suas vítimas.

Cinco equipes que entraram por aquela porta vermelha e voltaram para casa de mãos vazias. Dezesseis gols marcados, uma média de mais de três por jogo. Junto com o Arsenal, é o estádio com a defesa mais sólida de toda a Liga dos Campeões. Nesta quarta-feira será a vez do Real Madrid.

Sem La Liga, sem a Copa do Rei, Arbeloa apontou o caminho a seguir após o jogo de ida: “Quem não acredita pode ficar em Madri, porque vamos com tudo”. Talvez jogar sem medo seja tudo o que lhes resta. Talvez seja o suficiente, embora haja algo que os números não mostram, mas que vale a pena saber.

Em casa, o Bayern sofreu apenas três gols em toda a Liga dos Campeões, dois de adversários e um contra — o melhor desempenho, ao lado do Arsenal, entre os times ainda na disputa —, mas isso considerando 80% dos chutes a gol que enfrentam, a quinta maior porcentagem da competição.

A muralha não é apenas Neuer. A muralha é o sistema e a recusa em deixá-los passar, um método que os levou a quebrar o recorde de gols em uma temporada. Embora tenha uma rachadura. No jogo de ida, no Bernabéu, Mbappé e Vinicius se viram em frente ao gol três, quatro, cinco vezes, e o goleiro alemão defendeu todas, uma a uma, protagonizando uma atuação que lhe rendeu o prêmio de MVP aos 40 anos.

A história, porém, não corrobora totalmente essa tendência. Nas duas únicas vezes em que o Real Madrid chegou a Munique sem vantagem no placar agregado, foi eliminado.

Em 1976, empatou em 1 a 1 no Bernabéu e perdeu por 2 a 0 em Munique. Em 2001, perdeu por 1 a 0 em casa e depois por 2 a 1 na Alemanha. Duas vezes o Real Madrid chegou a esta cidade em desvantagem, duas vezes se viu fora da competição.

Em contrapartida, todas as vezes que obteve um resultado positivo em Munique — 2014, 2017, 2018 e 2024 — acabou levantando a taça da Liga dos Campeões naquele ano. Sem exceção. Não é coincidência que o Real Madrid seja o time com mais vitórias na Allianz Arena na Liga dos Campeões desde 2008 , com três triunfos. Quem passa por aqui sem sofrer nenhum revés chega a maio com as esperanças vivas.

Cinco rivais tentaram a sorte este ano no reduto bávaro. Todos os cinco voltaram para casa, desperdiçando seus esforços contra um gigante que não perdeu um único ponto em casa em toda a Liga dos Campeões. O Real Madrid é o sexto visitante.

Talvez a Allianz Arena nunca tenha intimidado o Real Madrid da mesma forma que os outros, nem mesmo naquela noite em que juraram que até as árvores pegariam fogo.

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