Angola possui 35 milhões de hectares de terras aráveis, mas apenas 6,2 milhões dessa área, que corresponde a 17,7% do total, é cultivada, disse hoje o ministro a Agricultura e Florestas durante uma audição na Assembleia Nacional (parlamento).
Lusa
De acordo com Isaac dos Anjos, Angola conta com 35 milhões de hectares de terras aráveis em toda a extensão das 21 províncias do país, apenas 6,2 milhões desses hectares são efetivamente cultivados, a maioria por agricultores familiares.
As explorações familiares ocupam 5,6 milhões de hectares, enquanto o setor empresarial opera em 608 mil hectares, sendo que o país, segundo o governante, conta já com 135 mil hectares de área irrigada.
Isaac dos Anjos, que falava sobre o setor que dirige durante uma audição pela Comissão de Economia e Finanças do parlamento angolano, fez saber também que Angola tem necessidade de 180 mil toneladas de fertilizantes por ano e «luta» anualmente para atingir pelo menos as 170 mil toneladas.
Defendeu a necessidade de se fazer a correção dos solos para a garantia da sua fertilização, rebatendo a «teoria sem base científica» sobre a riqueza dos solos angolanos para o cultivo.
«Qualquer discurso de cada um de nós, a primeira coisa que diz é que Angola é rica, tem terras aráveis, tem muitos recursos, água. Mas se puséssemos a mão na cabeça, se isso fosse verdade, acham mesmo que o nosso povo seria assim tão pobre?», questionou.
«Será mesmo que nos autoflagelamos?», voltou a questionar o ministro angolano, defendendo a importância se dar espaço à ciência e ao conhecimento para a análise dos solos angolanos: «É preciso fazer correção dos solos, é preciso fazer a fertilização dos solos.
Para Isaac dos Anjos «é preciso compreender porque é que as pessoas cultivam um ano aqui, depois fazem derrubes para cultivar em outro espaço» insistindo que a correção dos solos deve ajudar igualmente a «sedentarizar as pessoas».
«É isso que dá progresso (…), enquanto continuarmos nómadas nós não vamos atingir o que se pretende», frisou.
Nesta audição de quase uma hora, Isaac dos Anjos revelou também que o país atingiu os 30,4 milhões de toneladas de produção agrícola na época 2024-2025, período em que foram registadas 3,5 milhões de explorações agrícolas.
«E 5,5 milhões de explorações agrícolas foram atendidas (nesse período). A nossa cobertura florestal ficou nos 69,3 milhões de hectares e o nosso contributo ao PIB (Produto Interno Bruto) ficou fixado em 23%», referiu.
Anunciou igualmente que a estrutura produtiva angolana continua a ser ocupada em grande escala pela produção manual (66%), seguida pela tração animal com 28% e a mecanização 6%.
A estrutura de organização rural eram de 2.823 cooperativas entre 2024-2025.
Aos deputados, o ministro da Agricultura e Florestas de Angola fez saber também que o país produziu, em 2025, um total de 163 mil toneladas de carne de caprino, 115 mil toneladas em bovino, 64 mil toneladas de frango e 13.340 toneladas de carne suína.
Salientou que apesar da referida produção, ainda se levantam questões sobre importação e produção local de carne, referindo, contudo, que a suspensão da importação de partes de frango e de suínos impulsionou produção interna.

