O Governo de Angola aprovou a estratégia nacional e o plano de ação para implementar a Zona de Comércio Livre Continental Africana, considerando que o país está especialmente bem colocado para beneficiar dos efeitos da iniciativa.
“É evidente que a Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA, na sigla em inglês) não é meramente um acordo comercial, mas sim o projeto de integração económica mais ambicioso do nosso continente, concretizando um dos objectivos da Agenda 2063: A África que Queremos”, disse o ministro da Indústria e do Comércio angolano, Rui Miguens de Oliveira, num comunicado enviado, no final de uma reunião, pela Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA).
A reunião, que juntou o Governo angolano, vários parceiros internacionais e a UNECA, concluiu um processo iniciado em setembro de 2025 sobre a aplicação do AfCFTA em Angola e é “um passo decisivo no sentido de aproveitar o comércio intra-africano para acelerar a agenda de diversificação económica e industrialização do país”.
Para o governante angolano, “os recursos abundantes de Angola, a sua população jovem e dinâmica e a sua localização estratégica colocam o país em posição de beneficiar significativamente da expansão do comércio regional”.No entanto, ressalvou, é preciso “uma estratégia clara, abrangente e exequível para tirar pleno partido destas vantagens”.
Os principais objectivos do plano incluem o reforço das capacidades produtivas, o desenvolvimento de cadeias de valor regionais, o aumento da participação das empresas nacionais nos mercados regionais e a garantia de que os benefícios cheguem às mulheres, aos jovens e a outros grupos vulneráveis neste país africano lusófono.
“A implementação bem-sucedida desta estratégia não só reforçará a posição de Angola no mercado regional, como também promoverá uma economia africana mais resiliente e interligada”, afirmou o embaixador do Canadá em Angola, Anderson Blanc, país que financiou o encontro e tem apoiado o país na implementação do AfCFTA.
“Os debates sublinharam o papel central do setor privado como catalisador para uma implementação bem-sucedida e a necessidade de mecanismos de coordenação claros entre o Governo, o setor privado e a sociedade civil, a fim de garantir uma execução inclusiva e orientada para os resultados”, diz a UNECA.
Os próximos passos, conclui, incluem a finalização do Plano de Ação, a criação de estruturas de coordenação e a mobilização de apoio técnico e financeiro de parceiros nacionais e internacionais.
Criada em 2019 pela União Africana, a AfCFTA pretende estabelecer a maior zona de comércio livre do mundo, abrangendo mais de 1,4 mil milhões de pessoas e um mercado com valor estimado em 3,4 biliões de dólares, quase 3 biliões de euros.
Apesar do potencial, a implementação do acordo tem enfrentado desafios, incluindo elevados custos de financiamento, limitações logísticas e infraestruturas insuficientes, que dificultam a participação de pequenas e médias empresas.
O Fundo Monetário Internacional tem defendido o reforço da integração regional como forma de mitigar os efeitos de choques externos recentes, incluindo a subida dos preços globais associada à guerra no Médio Oriente.

