Oferta de divisas aumentou 23% e ajudou a estabilizar mercado cambial angolano

Analistas do Banco Millennium Atlântico destacaram o aumento da oferta de divisas no mercado angolano, de mais de 23% até maio face ao período homólogo, contribuindo para estabilizar o mercado cambial.

A oferta de divisas totalizou 5,7 mil milhões de dólares (cinco mil milhões de euros) até maio de 2026, representando um incremento de 23,43% face ao período homólogo, indica uma nota de análise do Banco Millennium Atlântico (BMA) consultada hoje pela Lusa.

Segundo os analistas, o mercado cambial angolano tem vivenciado, ao longo de 2026, “um período de crescimento relevante na oferta de divisas”, num contexto marcado por fatores externos favoráveis e por maior capacidade interna de mobilização de recursos em moeda estrangeira.

Esta evolução tem sido influenciada, “em grande medida”, pelo incremento do preço do petróleo no mercado internacional, em consequência das tensões no médio oriente, melhor capacidade de obtenção de moeda estrangeira por parte do Ministério das Finanças e pela manutenção de “níveis confortáveis” das reservas internacionais.

Os analistas do BMA, na nota semanal hoje divulgada, refereem que esses fatores possibilitaram intervenções pontuais do Banco Nacional de Angola (BNA) no mercado cambial, “sempre que necessário para assegurar maior equilíbrio”.

Neste cenário, a oferta de divisas no mercado angolano, medida pelo volume de compras pelos bancos comerciais, totalizou 5.749,65 milhões de dólares até maio, representando um incremento de 23,43% comparativamente ao período homólogo, refere-se.

Os analistas referem que, neste período, o BNA disponibilizou ao mercado 293,94 milhões de dólares, “um aumento expressivo” de 371,87%, o Tesouro Nacional com um crescimento de 86,24% para mais de 1,3 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros) e os clientes diversos, cuja oferta aumentou para 1,537 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros).

“Os dados evidenciam uma maior diversificação das fontes de divisas, reduzindo parcialmente a dependência exclusiva do setor petrolífero”, lê-se na nota.

O BMA nota o desempenho, em sentido contrário, da oferta do setor petrolífero que reduziu 5,36% para 2,046 mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros).

Apesar do incremento do preço do barril de petróleo, as receitas do setor “continuam a ser penalizadas pelos efeitos negativos dos níveis moderados de produção”, escrevem os analistas.

A mesma tendência foi observada na oferta do setor diamantífero que, entre janeiro e maio, recuou 0,98% para 570,26 milhões de dólares, “afetado pela redução do preço dos diamantes naturais”, conclui a análise.

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