Banco de Angola corta taxa de juro de 17% para 15,75% face a descida da inflação

A taxa de juro em Angola (taxa BNA) foi hoje reduzida em 1,25 pontos percentuais, de 17% para 15,75%, anunciou o Banco Nacional de Angola (BNA) no final da 130.ª reunião do Comité de Política Monetária.

Lusa

O Comité de Política Monetária (CPM) decidiu igualmente reduzir a taxa de juro da facilidade permanente de cedência de liquidez de 18% para 16,75% e a taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez de 16% para 14,75%.

“A decisão de reduzir as taxas de política fundamenta-se na desaceleração consistente da inflação observada, bem como na perspetiva de manutenção dessa tendência no curto prazo”, lê-se no comunicado final da reunião, que decorreu em Malanje, lido pelo governador do banco central, Manuel Tiago Dias.

A inflação mensal fixou-se em 0,52% em junho, com a taxa homóloga a manter a trajetória descendente, nos 10,11%, enquanto o Produto Interno Bruto angolano cresceu 5,32% no primeiro trimestre de 2026, segundo os dados divulgados pelo governador do BNA.

No plano internacional, o comunicado assinala que o cenário “continua caracterizado por incertezas”, particularmente o conflito no Médio Oriente, que afecta os mercados e as cadeias de abastecimento da economia mundial e mantém pressões sobre a inflação.

No mercado das ‘commodities’ (matérias-primas) energéticas, o preço médio do barril de petróleo recuou 18,72%, passando de 104 dólares (cerca de 90 euros) em maio para 84,56 dólares (73 euros) em junho, na sequência das negociações entre os Estados Unidos e o Irão e da perspectiva de normalização da cadeia de fornecimento de petróleo no Estreito de Ormuz.

No domínio monetário, o crescimento homólogo da base monetária resultou sobretudo da regularização dos atrasados de 2025 às empresas, efetuada pelo Tesouro Nacional no segundo trimestre de 2026, enquanto o agregado monetário em moeda nacional registou uma redução de 0,12% em junho, com variações acumulada de 14,31% e homóloga de 24,8%.

O ‘stock’ de crédito à economia em moeda nacional atingiu 7,27 biliões de kwanzas (6,89 mil milhões de euros) em junho, uma expansão de 0,41% face ao mês anterior, embora em termos acumulados o crédito tenha contraído 1,72%.

No sector externo, o saldo acumulado da conta de bens até junho foi de 10,56 mil milhões de dólares (9,14 mil milhões de euros), um aumento de 2,58 mil milhões de dólares (2,23 mil milhões de euros) face a 2025, impulsionado pelo incremento do valor das exportações em 3,59 mil milhões de dólares (3,11 mil milhões de euros), superior ao das importações (1,01 mil milhões de dólares ou 874 milhões de euros).

Segundo o comunicado, a evolução favorável das exportações refletiu a melhoria dos termos de troca sustentada pelo aumento do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais, atenuando a contração dos diamantes.

O aumento das importações foi influenciado essencialmente pelos combustíveis, no valor de 2,2 mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros), um incremento de 112,5% face ao período homólogo.

O ‘stock’ das reservas internacionais fixou-se em 14,93 mil milhões de dólares (12,92 mil milhões de euros) em junho, correspondente a um grau de cobertura de 6,2 meses de importações de bens e serviços, redução que o BNA explica com a diminuição do nível das reservas e o aumento das importações de bens e dos pagamentos de serviços ao exterior.

A próxima reunião do Comité de Política Monetária terá lugar em Luanda, nos dias 14 e 15 de setembro de 2026.

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