De queixoso para arguido: SIC trama Jornalista Ilídio Manuel — Acusado de estar foragido das autoridades há mais de quatro anos

O jornalista Ilídio Manuel está num “imbróglio” que levanta questões sobre a credibilidade de processos crimes, elaborados pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC).

Ao que o Radar Informativo, apurou, o caso de Ilídio Manuel, foi despoletado devido a “mudança de estatuto de queixoso para arguido no contexto que refere-se a processos em que denunciantes passam a ser investigados, muitas vezes por falsas denúncias, difamação ou violação de segredo. Isso implica uma reviravolta jurídica, onde o queixoso original enfrenta acusações criminais”.

De acordo com um jurista que solicitou ao anonimato, pontos-chave nas investigações judiciais: “A alteração ocorre geralmente quando a justiça considera que o queixoso mentiu ou agiu de má fé”.

“No caso do jornalista Ilídio Manuel, esta situação sublinha o risco jurídico envolvido em denúncias sem fundamento sólido”.

O jornalista recorreu a sua página do Facebook, onde descreveu, que foi nesta quarta-feira, 26, ao Serviço de Investigação Criminal (SIC)/Luanda para prestar declarações, no âmbito de um processo-crime que moveu há um mês contra os comentaristas da Tv Zimbo, Bali Chionga e Lindo Bernardo Tito, por “calúnia e difamação”.

“Surpreendentemente, fui lá na qualidade de queixoso e sai como (arguido) num outro processo, embora nunca tivesse sido ouvido naquele órgão judicial”, explicou, sublinhando que durante o interrogatório fui abordado por um investigador criminal, identificado por Edvaldo Oliveira, que nada tinha a ver com o “processo-TvZimbo”.

“Perguntou-me se eu era o jornalista Ilídio Manuel, ao que confirmei.
Segundo ele, o SIC andava à minha procura há quatro anos, e que não tinha como me localizar. Disse-me que a sua instituição havia contactado o então Secretário Geral do Sindicato dos Jornalistas de Angola, o jornalista Teixeira Cândido, e a presidente da Comissão da Carteira Ética (CCE), a jornalista Luísa Rogeiro, mas sem sucesso”.

Ilídio Manuel, prossegue, dizendo que ( O ex-SG disse-lhe que nunca foi contactado pelo SIC e nunca recebeu uma requisição dessa instituição) Nunca fui abordado pela presidente da CCE.)

“Achei estranho que este assunto tivesse sido levantado em sede de um outro processo, no qual era (sou o ofendido). Será para esvaziar o conteúdo da minha queixa-crime ou converter-me em agressor, ou fazerem-se passar por prófugo que se subtraiu à justiça há quatro anos?”, questionou.

“Não menos estranho é o facto de o referido investigador me ter-me notificado verbalmente, em 22 de setembro de 2022, tendo, na altura, lhe solicitado que o fizesse por escrito. Recebi uma notificação escrita dias depois, pelo que me constitui o meu mandatário judicial nesse tal processo. Lamentavelmente, o meu advogado nunca foi notificado… Não recebi também nenhuma comunicação verbal ou escrita nestes últimos quatro anos, e não mudei de telefone, continuando com o mesmo terminal que já tenho há um quarto de século”, sublinha.

Ilídio Manuel adianta que nestes quatro anos continua a morar na mesma casa e não se ausentou para fora do país.

“Neste espaço de tempo, continuo a ser uma presença constante nas redes sociais, nos jornais e rádios, com o mesmo perfil e o mesmo rosto, embora este tenha ligeiramente envelhecido, por força da idade. Pedi provas das notificações que me foram endereçadas ou ao escritório do meu advogado, o que não me foi exibido”, esclarece.

“Na próxima segunda-feira, 30 de março, irei ao SIC, sem saber quem é o acusador nem a matéria de que vou acusado. Presumo que esteja relacionada com a minha passagem pela Camunda News, que já levou àquela instituição policial o activista Gangsta e o director da extinta publicação, David Boio.
Pelo andar da carruagem, não tarda que um dia venha a confrontado com um mandado de captura. Diante deste episódio surrealista, não temo nem tremo, pelo que continuo firme nas minhas convicções e no meu exercício profissional. Nada me silenciará”, conclui.

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