Incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado aumentaram 10% no primeiro semestre, face a 2025.
Pelo menos dois populares foram mortos por grupos insurgentes no acampamento de Nantica, aldeia de Litapata, zona baixa do distrito Muidumbe, na província moçambicana de Cabo Delgado, disseram esta terça-feira à Lusa fontes da comunidade local.
O ataque, segundo as mesmas fontes, aconteceu no sábado, junto ao rio Messalo, com as vítimas a serem surpreendidas quando estavam a lavar.
“É muito triste. Eram vizinhos e foram lá lavar [roupa] e não mais voltaram, foram mortos pelos terroristas”, relatou uma fonte a partir de Muidumbe.
Os corpos das vítimas foram descobertos pelas suas mulheres após mais de três horas de buscas, sem saberem do paradeiro dos parceiros, de 57 e 59 anos.
“Depois que as esposas voltaram da aldeia Litapata, não encontraram os maridos e tiveram que ir atrás dos parceiros, mas ninguém imaginava as mortes porque faz um tempo que a zona de Nantica não sofre ameaças dos homens armados”, disse a fonte a partir de Muidumbe.
Os corpos foram sepultados em Nantica, na presença de paramilitares da Força Local, destacados para reforçar a segurança na zona.
Província rica em gás natural, Cabo Delgado, norte de Moçambique, é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e de 1,2 milhão de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.
Os incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado aumentaram 10% no primeiro semestre, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças.
A conclusão consta do relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), divulgado em setembro, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.
Segundo o documento, “nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025”, incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.
Actualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respetivas zonas de origem.
“Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos”, refere a ONU.

