Economista-chefe do Standard Bank alertou Angola sobre risco de deslize

O economista-chefe do Standard Bank para Angola, Moçambique e República Democrática do Congo destacou hoje, em Luanda, a política fiscal angolana “muito prudente, mas em ano pré-eleitoral o país precisa de maior cautela para evitar uma derrapagem fiscal.

Fáusio Mussá falava à imprensa no final da 1.ª Edição do Briefing Económico de 2026 do Standard Bank de Angola, com o tema “Angola, Estabilização Macroeconómica num Ambiente de Elevada Volatilidade no Preço do Petróleo”, na qual foi o orador de destaque.

Segundo Fáusio Mussá, o mundo atravessa momentos de alguma perturbação com o conflito no Médio Oriente, mas há uma expectativa de paz para aquela região e de normalização do preço do petróleo, que tem impactado negativamente algumas das cadeias de valor, como dos fertilizantes e outros produtos para a indústria.

Angola necessita de continuar a fazer reformas para atrair investimento local e estrangeiro, para melhoria do ambiente de negócios, disse Mussá, considerando encorajadores os resultados já alcançados, com os dados a apontarem um crescimento consistente suportado pelo sector não petrolífero, devido aos investimentos nos setores de energia, agricultura, substituição de importações em vários projectos.

O analista macroeconómico realçou que Angola tem se beneficiado da alta do preço do petróleo, que gera um ambiente económico mais favorável, contudo, o desafio do subsídio aos combustíveis reduz os ganhos que esta situação conjuntural gera para o país.

“Tem sido notória uma política fiscal muito prudente e, sobretudo, uma grande coordenação entre a política fiscal e a política monetária para garantir alguma estabilidade macroeconómica”, referiu o economista-chefe do Standard Bank para Angola, Moçambique e República Democrática do Congo, enfatizando ainda a prudência do Governo angolano ao não realizar “nenhum ajuste aos pressupostos do Orçamento do Estado”, porque “a incerteza e a volatilidade é muito grande”.

Angola vai realizar em 2027 as suas sextas eleições gerais, tendo Fáusio Mussá sublinhado que em anos pré-eleitorais aumentam os riscos de um deslize fiscal, havendo necessidade de uma atenção acrescida ao controlo das despesas do Estado.

“Porque quando nos aproximamos das eleições pode ser que haja uma intenção de concluir vários projetos que têm estado a ser desenvolvidos ao longo dos anos, mas que por algum motivo o ritmo não permitiu a conclusão”, aclarou.

De acordo com o analista, do ponto de vista de finanças públicas, Angola tem de ser capaz de continuar “a gerar algumas almofadas, alguma poupança”, que permita gerir os impactos da volatilidade do preço do petróleo, por isso “é preciso que haja atenção para que a despesa seja concentrada nos projetos prioritários e que se possa suavizar o impacto dessa despesa na divida pública e o saldo fiscal para que não haja picos de pressão na área fiscal”.

“Este tem sido um ano bastante interessante. Angola teve acesso recentemente aos mercados internacionais de dívida, emitiu quatro mil milhões de dólares em ‘Eurobonds’, mas uma parte desta receita está a ser utilizada para suavizar o reembolso de operações futuras”, realçou Fáusio Mussá, acrescentando que esta estratégia “pode ajudar Angola a suavizar a pressão do serviço da dívida, sobretudo em 2028 e 2029.

Sobre a inflação, Fáusio Mussá disse que a previsão para Angola até ao final do ano é de 8.6%, frisando que dois elementos influenciam o andamento da inflação no país lusófono, um dos quais a estabilidade cambial desde 2024, permitindo aos agentes económicos uma melhor gestão das suas margens das importações, resultando “num aumento de preço mais contido”.

“O segundo aspeto é que o Governo tem estado a manter um subsídio aos combustíveis, enquanto em Moçambique tivemos um aumento do preço do diesel de 45%, que tem um impacto na inflação, o aumento do diesel em Angola foi de apenas 5%, isso permite perspectivas que Angola tenha uma inflação a um dígito, o que seria a primeira vez no país”, disse.O Standard Bank Group atua em 38 países, dos quais 18 africanos, sendo o maior banco privado a operar em África

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