O líder da UNITA, maior partido da oposição angolana, defendeu hoje o debate sobre a alternância, através do pacto de estabilidade, para “retirar os medos que ainda existem na sociedade” sobre os riscos do pós-eleitoral.
Lusa
Adalberto Costa Júnior, que falava à saída da audiência com o Presidente angolano, João Lourenço, avançou que a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) tomou a iniciativa de trazer a debate na sociedade o tema de estabilidade democrática, um documento elaborado desde março e remetido ao chefe de Estado angolano.
Segundo o líder da UNITA, o documento chegou a ter outros nomes ao longo do tempo em que foi sendo aprofundado o conteúdo, mas hoje é ponto assente que “a relevância do nome não é o mais importante”, mas sim “os conteúdos do documento em si próprio”.
A audiência concedida por iniciativa de João Lourenço visou abordar o Pacto para a Estabilidade e Reconciliação Nacional, salientou o líder da UNITA.
“Deixou-me satisfeito e tivemos de facto a oportunidade de nos debruçarmos com bastante profundidade ao debate dos conteúdos deste documento e este é um elemento que é positivo para o país”, destacou.
De acordo com Adalberto Costa Júnior, a UNITA entende que o país precisa de, através dos seus atores, passar para fora a imagem e a prática de que os angolanos sabem dialogar em permanência, que é preciso “retirar os medos que ainda existem na sociedade de que o processo eleitoral deve ser abordado sem risco do dia pós-eleitoral, onde quem estiver hoje a participar não deve ter receio, mesmo ocorrendo a alternância (…) do dia de amanhã”.
Neste diálogo de estabilidade consta também a preocupação sobre a absoluta necessidade de haver no processo eleitoral uma observação internacional presente, “que não tem sido comum”.
“Não é consensual esta posição, (…) temos apenas convidado quem é conveniente, não convidamos quem é independente no seu posicionamento, esta é uma realidade”, vincou.
A UNITA não está preocupada em liderar este debate, sublinhou Adalberto Costa Júnior, considerando que a liderança pode ser feita por quem ofereça confiança para o poder fazer.
Contudo, o facto de hoje se abordar o assunto “é uma grande conquista”, acrescentou.
“Saio daqui certamente com a satisfação de ver que há uma dinâmica, efetivamente com perspetivas positivas”, frisou.
O Pacto para a Estabilidade e Reconciliação Nacional é uma proposta política da UNITA, entregue à Presidência da República em abril deste ano, que entre os seus temas integra aspetos de revisão, de reformas, de algumas leis necessárias “que tragam a realização do país nos níveis de desenvolvimento”.
“Não se exclui neste documento a possibilidade de nós criarmos condições do debate para um processo posterior de reforma da Constituição, também é um dos elementos que está inerente a este conteúdo”, disse o político.

