A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje que a epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) pode prolongar-se, anunciando que está a analisar quais as vacinas e tratamentos a ser utilizados.
“Não creio que esta epidemia termine dentro de dois meses. A dimensão da epidemia dependerá da rapidez da nossa resposta, da nossa capacidade de travar rapidamente a transmissão. Não dispomos de vacina e, por isso, temos de contar com a cooperação da população”, declarou a representante da OMS, Anne Ancia.
Segundo Anne Ancia, a organização está a analisar quais são as vacinas ou tratamentos disponíveis a utilizar, num momento em que se registam mais de 100 mortes suspeitas de terem sido causadas pelo Ébola.
A OMS declarou que este surto da febre hemorrágica altamente contagiosa constitui uma emergência de saúde pública internacional e convocou hoje um comité de emergência.
Este comité deverá formular recomendações para fazer face à epidemia, relactivamente à qual o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, se mostrou “profundamente preocupado” com a sua amplitude e rapidez.
Não existe qualquer vacina nem tratamento contra a nova estirpe Bundibugyo do vírus do Ébola, responsável pela última epidemia da doença que matou mais de 15.000 pessoas em África nos últimos 50 anos.As vacinas só estão disponíveis para a estirpe Zaire, identificada em 1976.
Ancia afirmou que, por enquanto, os especialistas internacionais consideram que as vacinas para a estirpe Zaire “não podem ser utilizadas no âmbito da resposta atual”.
“É claro que é necessário realizar muito mais estudos a este nível e penso que iremos, de facto, discutir muito em breve as possibilidades de realizar ensaios clínicos”, acrescentou a representante.
O Presidente congolês, Félix Tshisekedi, apelou hoje à população para que “mantenha a calma” face à propagação do vírus e instruiu o “Governo a aplicar imediatamente todas as medidas necessárias para reforçar a resposta sanitária”.
O Ébola na RDCongo, país vizinho de Angola, já causou 131 mortos e 513 casos suspeitos, segundo os dados mais recentes das autoridades congolesas.Uma morte foi reportada na vizinha Uganda e um caso foi confirmado no Sudão do Sul, que também faz fronteira com a RDCongo.
A RDCongo é regularmente afetada por epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
