Tal como está a acontecer na energia, na alimentação e nos produtos informáticos, o preço dos preservativos também deverá crescer nos próximos tempos, vítima da destruição de infraestruturas petrolíferas chave no Médio Oriente e da impotência das partes em conflito – os EUA, Israel, e o Irão – em conseguir encontrar uma solução para a reabertura permanente do estreito de Ormuz.
O presidente executivo da Karex, a maior fabricante do mundo de preservativos, anunciou esta terça-feira, 21 de abril, que pretende subir os preços dos contracetivos entre 20% a 30%, resultado direto da guerra entre o Irão e os Estados Unidos e Israel. A Karex produz mais de cinco mil milhões de preservativos por ano.
Além de vender preservativos de marca própria, a Karex, sediada na Malásia, ainda fornece marcas como a Durex e entidades como as Nações Unidas no âmbito dos seus programas de apoio humanitário.
Pelo estreito de Ormuz passam subprodutos da extração de petróleo e de gás natural que são matérias-primas essenciais para a produção de preservativos.
O encarecimento de compostos químicos como o amoníaco anidro, um conservante do látex, ou nafta e nitrilo, usados para o fabrico de borracha sintética, está a afetar não só o fabrico destes contracetivos, mas também a afetar a produção de luvas hospitalares na Malásia.
“A situação é, de facto, muito precária”, reconheceu Goh Miah Kiat em entrevista à Reuters.
“Os preços estão muito altos” e não há “outra escolha senão transferir agora mesmo esses custos para os consumidores”, acrescentou.
E, segundo o responsável, não foram só os custos de produção a aumentar: a procura também subiu com os clientes a quererem repor ‘stocks’ depois de semanas de perturbações nas cadeias de distribuição.
A procura está também a ser estimulada pelo desmantelamento e asfixia financeira de programas de apoio humanitário de entidades como a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), em 2025, que provocaram uma diminuição dos “stocks” globais de preservativos, principalmente nos países em vias de desenvolvimento.
Em 2026, a procura global por preservativos não enfraqueceu, e até aumentou 30%, segundo o presidente executivo da Karex. Há “muitos mais preservativos a ficarem presos em barcos, a não chegarem aos seus destinos apesar de serem muito necessários lá”, disse.
As encomendas demoram, hoje, quase dois meses a chegar a clientes europeus e dos Estados Unidos; mais um do que antes do conflito, detalhou ainda Goh Miah Kiat.

