Montenegro pede fim da tragédia humanitária no Médio Oriente e insiste na solução de dois Estados

Luís Montenegro discursou esta quinta-feira perante a 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

O primeiro-ministro português apelou esta quinta-feira ao fim da “tragédia humanitária” no Médio Oriente e insistiu ser necessário caminhar para uma solução da coexistência de dois Estados, Israel e Palestina.

Luís Montenegro discursou esta quinta-feira perante a 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, imediatamente a seguir ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que tinha sido recebido com vaias, mas também aplausos, com muitas delegações a saírem da sala.

Durante a intervenção de Israel, manteve-se na sala apenas uma representante da delegação portuguesa. Antes de se iniciar o discurso de Montenegro, entraram na sala o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e o secretário de Estado Salvador Malheiro, entre outros elementos.

O chefe do Governo português falou em seguida, fazendo uma breve referência ao conflito no Médio Oriente no arranque do seu discurso.

“No Médio Oriente, tem de cessar a tragédia humanitária e temos de caminhar para a solução de dois Estados — com Israel e a Palestina a coexistirem como dois Estados soberanos em paz e em segurança”, disse.

Na sua intervenção, Montenegro defendeu que devem ser exploradas “todas as oportunidades para o diálogo, para a diplomacia, para a paz”, considerando que as guerras e tensões geopolíticas em curso “têm tido um terrível impacto humano, colocam em causa essa ordem internacional e a perspetiva de prosperidade”.

Além do conflito do Médio Oriente, o primeiro-ministro referiu-se também ao do Irão — embora sem nunca mencionar os Estados Unidos -, defendendo que tem de terminar “a atuação agressiva” deste país e o bloqueio do Estreito de Ormuz.

“Na Europa, temos de alcançar uma paz justa e duradoura, que faça cessar a agressão brutal e ilegal da Rússia contra a Ucrânia — parceiro que tem tido todo o apoio da União Europeia”, disse.

Montenegro referiu-se ainda ao Sudão, apelando a que cesse “a crise humanitária mais dramática” que o mundo enfrenta.

“Temos ainda de ser firmes no combate às ameaças globais do terrorismo e das armas nucleares. E perante o novo desafio da inteligência artificial temos de encontrar, em conjunto, o equilíbrio virtuoso entre a inovação e a regulação — que permita aproveitar o seu potencial a favor da humanidade, mas que evite o desvirtuar da nossa essência”, disse.

O discurso perante a Assembleia Geral da ONU foi o último ponto de uma visita oficial de três dias aos Estados Unidos de Luís Montenegro, que regressará ainda hoje ao final do dia a Portugal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *