O activista e defensor dos direitos humanos, Osvaldo Kahol, detido em julho de 2025, por alegadamente ter feito ameaças ao vivo nas redes sociais, no contexto da manifestação contra aumento dos preços de táxi e dos combustíveis. Deverá conhecer hoje a sentença do tribunal de Luanda, arriscando uma “pena de prisão superior a dois anos”.
No decurso do julgamento, que se arrasta desde o mês passado, rodeado de fortes medidas de segurança, Osvaldo Kaholo, à partir da cadeia de Calombloca, escreveu uma “carta para Comunidade Nacional e Internacional” para explicar o “possível desfecho do seu julgamento” e o pensamento político do MPLA.
“Afrosaudacões, Comunidade Nacional e Internacional, na quarta-feira, 01 de Abril, serei condenado, sem dúvidas. A juíza avançou isto na sessão passada, quando disse, em bom tom, e bom som”, que “comprometo a paz social”.
Osvaldo Kaholo, adianta dizendo: “Na quarta-feira saberemos quantos anos tenho de permanecer nas masmorras do MPLA (até que eles decidam), que neste tempo, quando sair, não comprometa mais a paz social – eles vão estipular o tempo”, informa, salientando que não são os motivos culturais, ou religiosos… “Que bloqueiam à Democracia, mas antes desejo dos que estão no poder em manter sua posição a todo custo”.
“Muitos ainda encaram o Estado, a Democracia… Como Frederico II da Prússia, como nada pelo povo. Porque ainda falta muito para que o Estado deixe de ser o “C’EST MOI” desses iluminados e passe a ser o “C’EST NOUS”, onde se pratique o do povo, para o povo e pelo povo”, le-se na carta do activista.
Osvaldo Kaholo relata que, “a coragem não é a ausência de medo. É a presença do medo e o desejo de ainda assim continuar. Devemos continuar companheiros da sociedade civil… Ngassakidila por tudo, continuo firme”.


