O Presidente da República, afirmou que a “paz e a reconciliação entre angolanos, o perdão e o abraço de irmãos, só são genuínos se assentarem na transparência e na assunção por todos dos passivos negativos da história”. Numa comunicação dirigida à nação, o Chefe de Estado reconheceu que Angola “viveu momentos dramáticos da sua história, que deixaram feridas profundas”.
O Presidente da República, João Lourenço, apelou, esta quarta-feira, aos angolanos a cultivarem o perdão, a reconciliação e a preservação da paz. Contudo, sublinhou que o país soube tratar essas marcas no quadro da paz e da reconciliação nacional, que se consolida ao longo dos últimos 24 anos”.
João Lourenço referiu que a criação da Comissão Interministerial para as Vítimas dos Conflitos Políticos entre Angolanos permitiu já a entrega, em cerimónias públicas, de restos mortais de cidadãos falecidos durante os conflitos, para a realização de funerais dignos pelas respectivas famílias.
O estadista afirmou que o país não deve esconder a verdade dolorosa dos factos, ao contrário deve tudo fazer para impedir o reaparecimento de conflitos étnicos, religiosos ou políticos entre angolanos, capazes de ameaçar a integridade física e a vida dos cidadãos. Na sequência do processo já iniciado, o Chefe de Estado anunciou a entrega, nos próximos dias, de centenas de restos mortais às respectivas famílias.
De acordo com o Presidente João Lourenço, o elevado número de vítimas e o impacto da cerimónia motivaram a decisão de decretar luto nacional em todo o território nacional, na próxima sexta-feira, dia 22. Considerou que perdoar e abraçar são os caminhos certos para “nos erguermos como nação reconciliada”.
João Lourenço salientou que Angola precisa concentrar-se na grande missão do desenvolvimento económico e social, com vista à prosperidade, ao bem-estar dos cidadãos e à construção de um grande país. Dirigindo-se às famílias afectadas pelos conflitos, o Presidente da República transmitiu uma palavra de encorajamento e conforto, num momento que classificou de grande consternação e profunda reflexão.
“O passado não pode ser apagado, mas deve servir de ponto de reflexão para prevenir os erros e crimes cometidos”, afirmou, acrescentando que as lições do passado devem constituir “os alicerces da edificação de uma pátria de justiça, paz e desenvolvimento”.
O Presidente da República advogou igualmente que falar sobre os horrores dos conflitos não deve continuar a ser um tabu, pois o objectivo não consiste em “tocar na ferida e torná-la ainda mais dolorosa”, nem “apontar o dedo a presumíveis actores”, mas criar consciência colectiva sobre a responsabilidade de impedir que a tragédia volte a repetir-se.
“O nosso propósito comum é restaurar a nossa nação, curar as nossas feridas e renovar a nossa esperança”, declarou.
Considerou ainda que este momento representa um convite à humildade, ao arrependimento e ao perdão, para o fortalecimento da identidade de Angola como nação próspera e abençoada.

