Angola assinala, hoje, quarta-feira, o 27 de Maio como o aniversário da alegada tentativa de golpe de Estado de 1977, numa altura em que, a Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), localizou uma vala comum com os restos mortais de mais de 500 corpos, no Cemitério do 14, em Luanda.
A repressão reza a história, afectou “profundamente” a sociedade angolana e ceifando a vida de dezenas de milhares de cidadãos.
O 27 de Maio de 1977, segundo vários analistas, representa um dos episódios mais trágicos e controversos da história recente de Angola, caracterizado por uma sangrenta repressão política.
O presidente da Fundação 27 de Maio, Silva Mateus, disse esta quarta-feira, aos jornalistas, que a data será marcada com homenagem aos compatriotas mortos no cemitério da Santa Ana, em Luanda. “Muitas vítimas não tiveram um funeral condigno.
Os seus familiares não tiveram a oportunidade de dar o último adeus, sequer sabiam ou sabem do local em que foram enterrados. Com a descoberta das ossadas, as famílias ficam aliviados”, disse que defende a data seja um feriado nacional.
Para que tais acontecimentos não voltem a acontecer, a CIVICOP criada pelo Governo, tem conduzido homenagens públicas, exumações e a entrega de certidões de óbito às famílias.
Para honrar a memória das vítimas dos conflitos políticos no país entre novembro de 1975 e abril de 2002, o Presidente da República, João Lourenço, instituiu este ano, um dia de Luto Nacional.
Refira-se que a CIVICOP criada em 2019, dedica-se a localizar ossadas, identificar vítimas e promover memoriais sobre os conflitos políticos entre 11 de novembro de 1975 e 04 de Abril de 2002.
Em Angola já foram exumados neste âmbito, restos mortais de 316 vítimas em oito províncias desde 2021, com 3.248 certidões de óbito emitidas e cerca de 500 famílias com reclamações activas.
O processo busca entregar restos mortais e certidões de óbito para encerrar capítulos de incerteza para muitas famílias angolanas, muitas vezes com forte carga simbólica de reconciliação.
Entre as últimas vítimas identificadas na vala comum do Cemitério do 14, após exames de DNA destacam-se José António Amaro, José Alberto Menezes, Pedro Martins de Sousa e Adriano Cassule (guarda costa de Nito Alves, responsável do alegado golpe de Estado) Aberto Fernandes, Jorge Gonga Sombo (motorista de Nito Alves), entre outros.
