UNITA critica gastos exorbitantes com inauguração do Pavilhão de Convenções de Luanda

A UNITA diz que a inauguração do Pavilhão de Convenções de Luanda, com o seu custo astronómico de 316,8 milhões de dólares, não é apenas mais uma obra pública, é a prova viva de que o Executivo não conhece Angola.

“Não conhece a fome que aperta, não conhece o desemprego que sufoca, não conhece a ânsia de um povo que quer trabalhar, produzir e viver com dignidade”, escreveu na sua página oficial, o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior salientando que se estivessem no poder a opção seria radicalmente outra.

“Não porque sejamos contra infraestruturas, mas porque sabemos que um País não se desenvolve com palácios vazios, desenvolve-se com fábricas a funcionar, campos a produzir e empresas a gerar riqueza”, acrescentou.

De acordo com o principal lidera da oposição, se tivessem de decidir como utilizar aproximadamente 316,8 milhões de dólares, transformariam esse dinheiro numa plataforma nacional de produção, conhecimento, emprego e desenvolvimento.

“Gastariam 70 milhões deste montante na construção de escolas onde elas faltam, reabilitar as existentes. Acabar progressivamente com crianças a estudar debaixo de árvores ou em salas sem condições e formar professores”, sugeriu.

Para o sector da saúde deviam empregar 35 milhões de profissionais no sentido de reforçar hospitais municipais e centros de saúde, equipar maternidade, garantir medicamentos essenciais e criar laboratórios e serviços de diagnostico.

“Os 50 milhões deveriam ser aplicados para uma revolução agroindustrial. Não queremos continuar a olhar para o camponês apenas como beneficiário de programas de emergência”, referiu.

Para o presidente da UNITA, outros 35 milhões seriam para empresários, startups e indústria, criar um fundo nacional de financiamento competitivo para jovens empreendedores, startups, cooperativas e pequenas e médias empresas.

“Para formação técnica e profissional empregavam 15 milhões de dólares para formar jovens em programação, inteligência artificial, electricidade, mecânica, soldadura, construção civil, energia solar, agricultura moderna, manutenção industrial, logística e outras áreas do futuro”, argumentou frisando outros 36,8 milhões iam para água, estradas e energia.

De acordo com a UNITA os últimos 75 milhões deste valor aplicavam para uma nova política de refinação.

“Angola tem petróleo, mas continua vulnerável na transformação desse petróleo em combustíveis e produtos de maior valor acrescentado. Precisamos de pensar diferente”, lamentou exemplificando que a Nigéria oferece uma experiência que merece ser estudada.

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