Sul-africanos se reuniram esta semana para corridas em memória das vítimas e protestos após o assassinato de nove mulheres perto de Joanesburgo reacender a raiva e o medo da violência, que muitos dizem refletir os perigos que as mulheres enfrentam diariamente.
A polícia encontrou os corpos de nove mulher em Ekurhuleni, a leste de Joanesburgo, nos últimos dois meses e está investigando se os assassinatos estão relacionados.
A maioria das vítimas tinha entre 20 e 30 anos. Algumas foram encontradas sem roupa e apresentavam sinais de agressão sexual.
Uma corrida em memória de Elizabeth Moselakgomo, realizada em Joanesburgo na manhã de sábado, homenageou uma das vítimas. Ela desapareceu após sair para correr e foi encontrada morta dias depois. Os corredores acenderam velas e carregaram uma faixa com os dizeres: “Basta. Parem com o feminicídio.”
“Estamos aqui porque perdemos um corredor. Mas não estamos seguros em lugar nenhum”, disse Lerato Lentsela, uma das dezenas de pessoas que se vestiram de preto para a corrida em memória dele.
“Não estamos seguros correndo, não estamos seguros nos correios, não estamos seguros em um encontro, não estamos seguros em nossas próprias casas, não estamos seguros em um Uber.”
Os assassinatos reacenderam a indignação contra a violência contra as mulheres na África do Sul, onde a violência de gênero foi declarada um desastre nacional em 2025.
Muitas mulheres dizem que a atenção redobrada e as promessas oficiais pouco fizeram para que se sentissem mais seguras.
“Chega! Nossas mulheres merecem viver, andar, correr e existir sem medo”, afirmou em comunicado a Fundação Uyinene Mrwetyana, uma organização beneficente que luta contra a violência de gênero.
O presidente Cyril Ramaphosa afirmou na quinta-feira que a África do Sul não pode se acostumar com tanta violência e prometeu que todos os esforços serão feitos nas investigações.
Mas o policiamento na África do Sul é enfraquecido pela corrupção e pela falta de recursos. Apenas cerca de um em cada dez homicídios é solucionado.
“Precisamos reavaliar nosso policiamento. A única razão pela qual essas nove mulheres foram encontradas foi porque havia mais policiais na área. Esse problema é nacional”, disse Merlize Jogiat, da organização Mulheres pela Mudança, que realizou um evento em memória delas na Cidade do Cabo na sexta-feira.
Algumas mulheres também criticaram as recomendações da polícia, que as incentivavam a tomar precauções extras ao se exercitarem ou caminharem sozinhas.
