Comité Central da FNLA considera Nimi-a-Nsimbi, como “ditador” por arrastar o partido ao abismo

Os membros do Comité Central da FNLA, acusaram este quinta-feira, 26, o presidente do partido Nimi-a-Nsimbi, de “ditador” por violar “absolutamente”, os estatutos do partido e de desrespeitar este órgão.

Em conferência de imprensa, o membro do Comité Central do partido, Daniel António Afonso, disse aos jornalistas que todos os actos praticados fora do VI sessão do Comité Central da FNLA realizado recentemente, são nulos.

Daniel Afonso lembrou que a reunião do Comité Central da FNLA realizada recentemente em Luanda, foi marcada por forte tensão e desacordos internos, resultando no abandono prematuro do encontro pelo presidente do partido, Nimi a Simbi.

A actitude do líder está a gerar controvérsia no seio do partido, uma vez que, segundo dirigentes presentes no encontro, a saída antecipada poderá configurar uma violação dos estatutos da organização, nomeadamente do artigo 25.º, linha 2, que estabelece as normas relativas à apresentação, discussão e aprovação de propostas nas reuniões dos órgãos do partido.

Segundo este político, a discórdia surgiu em torno da composição da Comissão Nacional Preparatória do VI Congresso Ordinário (agendado para setembro de 2026), com Nimi a Simbi a impor membros que não se encontram no país.

Este episódio agrava a crise na FNLA, com membros do Comité Central a alertar para a possibilidade de destituição de Nimi a Simbi.

O Comité Central da FNLA decidiu remeter ao Tribunal Constitucional de Angola um conjunto de acusações internas relacionadas com alegadas violações dos estatutos do partido e falta de capacidade de liderança por parte da actual direcção.

Os membros do Comité Central da FNLA deliberaram que o documento final da reunião seja enviado ao Tribunal Constitucional para integrar os autos da providência cautelar não especificada ligada ao processo n.º 1410-B/2025.

Fontes citadas pelo Novo Jornal indicam que a saída de Nimi-a-Simbi da reunião ocorreu após o Comité Central rejeitar a sua proposta de indicação do presidente da comissão preparatória do congresso, que se encontra fora do País há mais de dois anos.

Na ausência do líder partidário, os trabalhos foram concluídos por uma comissão criada no seio do Comité Central, encarregue de finalizar as deliberações da reunião.

Fundada por Holden Roberto, a FNLA volta assim a atravessar um período de tensão interna marcado por divergências e disputas de liderança, cenário que poderá afectar a capacidade de reorganização política do partido.

Recorde-se que Nimi-a-Simbi foi eleito presidente da FNLA no congresso realizado em 2021, assumindo então o compromisso de reunificar os militantes após um longo período de instabilidade interna durante a liderança de Lucas Bengui Ngonda.

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