Os dados constam do Relatório de Mercado referente ao exercício económico de 2025, apresentado recentemente, em Luanda, pela Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), que revelam um crescimento de 21% na produção do mercado segurador nacional.
Segundo o Director do Gabinete de Estudos e Planeamento Estratégico da ARSEG, o mercado segurador nacional manteve uma estrutura predominantemente concentrada nos ramos Não Vida, responsáveis por 92% da produção, equivalente a 532,9 mil milhões de kwanzas.
“Os custos com sinistros registaram, entretanto, um aumento de 77%, totalizando 251,3 mil milhões de kwanzas, o que elevou a taxa de sinistralidade global para 43%. Apesar deste agravamento, o sector encerrou 2025 com um Resultado Líquido de 46,6 mil milhões de kwanzas e um rácio combinado de 75,10%”.
Ainda no segmento dos Fundos de Pensões, realçou César Marcelino, o valor dos activos sob gestão alcançou 1,26 biliões de kwanzas, representando um crescimento de 11%, enquanto o número de participantes atingiu 68 423 em 2025, registando um crescimento de 4% face ao exercício anterior.
“No mercado de mediação de seguros, o número de mediadores pessoas singulares cresceu 130%, atingindo 4 963 profissionais, responsáveis pela angariação de 408,4 mil milhões de kwanzas em prémios, correspondente a 71% da produção total do mercado segurador. No resseguro, as cedências ascenderam a 173,2 mil milhões de kwanzas, mais 18,9% face a 2024, enquanto as indemnizações recuperadas junto dos resseguradores totalizaram 65,1 mil milhões de kwanzas”.
O documento ora apresentado destaca a evolução do quadro regulamentar e da conduta de mercado, durante o período do exercício económico em referência, com nove normas regulamentares aprovadas, como a regulamentação do acesso e exercício da actividade de micro-seguros, a formação de mediadores, a prevenção e combate ao branqueamento de capitais e as regras sobre conduta de mercado e tratamento de reclamações.
No domínio da protecção do consumidor, prosseguiu César Marcelino, foram registadas 712 reclamações, mais 16,53% comparativamente a 2024, tendo a ARSEG intervindo directamente em 132 processos de conflito, um aumento de 30,7% face ao ano anterior.
O responsável disse ainda que o relatório apresenta um enquadramento macroeconómico que marcou o exercício de 2025, período em que a economia angolana registou um crescimento do PIB real de 3,13%, impulsionado pelo sector não petrolífero, que cresceu 5,11%.
“O relatório constitui, assim, um instrumento de acompanhamento da evolução do mercado segurador e dos fundos de pensões, permitindo identificar tendências, avaliar o desempenho dos operadores e apoiar a actividade de regulação e supervisão da ARSEG”, explicou.
O Director lembrou que boa parte da população angolana possui pouco conhecimento em matérias de seguros e fundos de pensões, tendo o Executivo angolano lançado a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira, que busca garantir a promoção e o aumento do fortalecimento em matéria de produtos financeiros.
“E nós ARSEG, sendo partícipes desta estratégia, [queremos] vincar a nossa posição, de modo que matérias relacionadas com seguros e fundos de pensões sejam mais e melhor conhecidas, junto de toda a sociedade. Hoje, temos toda uma estratégia para promover e dinamizar os seguros obrigatórios com o objectivo de aumentar a taxa de penetração, no sentido de que os seguros consigam chegar a cada vez mais angolanos”, concluiu.
