A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) considera que Moçambique é uma das economias africanas mais vulneráveis aos efeitos da guerra no Médio Oriente, colocando Angola entre os mais protegidos das consequências do conflito.
“O Egito, Moçambique e Ruanda estão entre os países mais expostos, embora os mercados de capitais domésticos profundos do Egito e os elevados níveis de dívida concessional do Ruanda proporcionem uma compensação; menos expostos estão a Nigéria, Angola e a República do Congo, enquanto exportadores líquidos de petróleo, bem como Marrocos, com as suas reservas de moeda estrangeira mais sólidas”, escrevem os analistas desta agência de rating num relatório sobre o grau de exposição dos países africanos.
No documento, a S&P aponta que o Egito é o mais exposto, seguido de Moçambique e Ruanda, numa lista que coloca Cabo Verde como o 14.º país africano mais exposto, e Angola no 16.º, num total de 25 países africanos a que a S&P atribui um rating.
Os analistas salientam que “o risco que o conflito no Médio Oriente representa para os soberanos africanos irá provavelmente agravar-se à medida que a perturbação se prolonga” e acrescenta que “a maioria dos países africanos é importadora líquida de petróleo, combustíveis e fertilizantes, embora alguns disponham de medidas de proteção”.
Em média, os países africanos importam apenas 11% de produtos do Médio Oriente, exportando 14% dos seus bens e serviços para esta região, mas apesar de as percentagens serem pouco significativas, os efeitos são mais pronunciados.
“O aumento dos custos de importação de combustíveis e fertilizantes irá agravar a inflação e as pressões orçamentais e externas sobre os países africanos, podendo conduzir a pressões sobre os ratings”, alertam os analistas, vincando que “as reservas existentes de fertilizantes podem proporcionar a alguns países um alívio temporário, mas os aumentos sustentados dos preços representam um risco”.
Mais de três em cada quatro países africanos são importadores líquidos de combustíveis e fertilizantes, apesar de muitos serem exportadores de petróleo, o que se explica pelo facto de as refinarias existentes em África não serem suficientes para processar o crude em combustível para utilização local.
No que diz respeito à resposta dos governos através de apoios e subsídios aos mais desfavorecidos e afetados pelo conflito no Médio Oriente, a S&P diz que “as pressões orçamentais vão aumentar à medida que os países tentam mitigar o impacto da subida do preço dos combustíveis”.
E acrescenta que Angola, que gasta 2,8% do PIB em subsídios aos combustíveis, é um caso excecional face à média de 0,3% do PIB em apoio do Estado aos preços que os consumidores africanos pagam.
O preço do barril de Brent, referência para a Europa, desceu quase 8%, para 101,27 dólares na quarta-feira, longe do pico de 126 dólares atingido já no decorrer da guerra.O Irão bloqueia a passagem estratégica do estreito de Ormuz para o comércio mundial de hidrocarbonetos desde o início da guerra, que causou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano.
