Mamkenda Josefina, ajeita t-shirts, lenços e panos com a imagem de Leão XIV na banca de rua junto à igreja de São Paulo, em Luanda, à espera dos clientes que querem ver o Papa nas ruas da capital de Angola.
Lusa
Leão XIV chega ao princípio da tarde de sábado a Angola, para uma visita de três dias com passagens por Luanda, Muxima e Saurimo, no âmbito do périplo de 10 dias por África, mas, nas vésperas, os anúncios da sua presença fazem-se sentir sobretudo no trajeto entre o aeroporto 4 de Fevereiro e o centro da cidade e nas vendas de rua junto às igrejas.
Mamkenda confessa à Lusa que professa a religião kimbanguista – movimento cristão africano fundado em 1921 por Simon Kimbangu na República Democrática do Congo -, mas não esconde o entusiasmo com a vinda do líder da Igreja Católica.
“Não sou católica, mas estou a seguir o que é de Deus”, diz, fazendo questão de frisar: “Deus é um, está a nos mostrar só Amor”.
Na sua banca, na esquina junto à igreja de São Paulo, vai pendurando t-shirts, lenços e panos, de diversas cores, com a imagem de Leão XIV, que diz vender a um preço mais baixo que no Kilamba ou na Muxima, locais que vão acolher celebrações.
“Nós estamos a vender a preço baixo para facilitar todo o mundo para vestir bem, para ficar bonito, porque o Papa está a vir aqui em Angola”, diz à Lusa.
Explica que compra no armazém as t-shirts, os lenços e os panos e os leva para “carimbar, para meter a cara do Papa”, para reduzir o custo.
Paulino Aurélio, católico, comprou uma t-shirt por 2.500 kwanzas (2,3 euros), que, diz à Lusa, irá vestir mesmo sem ter a certeza que vai conseguir chegar aos locais por onde o Papa vai passar.
Mamkenda sabe que não vai estar, por já não ter saúde, mas a sua filha vai e trajada a rigor: “vai usar pano, vai usar camisola, vai usar lenço”.
Na última das quatro bancas junto à igreja de São Paulo, Belmira Adelaide Carvalho, confessa, com orgulho, ser “católica de raiz” e pertencer ao Centro João Paulo II, na paróquia do Rosário.
“Estou muito feliz de vender produtos do Papa. Temos camisolas, temos os lenços, temos os panos” e também outros materiais, como “terços e bíblias”, diz, referindo que, com a visita de Leão XIV, “as vendas vão correndo bem”.
Belmira espera do Papa uma mensagem de bênção, paz e consolação, tendo em conta a situação em que se encontra o “povo de Benguela”, que sofreu com as cheias de domingo.
Por outro lado, confia que Leão XIV irá conversar com os governantes “para o melhoramento do país”, salientando que os jovens precisam de “mais emprego, mais prosperidade” para “reduzir a delinquência nas ruas”.
“Sei, com a minha fé, que [o Papa] vai mudar alguma coisa”, conclui.
Na livraria das irmãs Paulinas, Agostinho Fonseca comprou todo o tipo de material sobre Leão XIV: o livro “Eu te Amei”, a brochura “Medite nos Pensamentos do Papa Leão XIV”, dois quadros – um com a imagem do Papa e outro com uma das suas mensagens -, e camisolas (a 5.100 kwanzas), com a imagem de Leão XIV para si e para a família – a mulher e os seis filhos – para vestirem na receção ao Papa, no percurso à chegada, e nas celebrações no Kilamba e na Muxima.
Junto ao aeroporto 4 de Fevereiro, um grande cartaz dá as boas-vindas a Leão XIV e árvores e postes estavam hoje a ser ‘vestidos’ com panos brancos, amarelos, azuis e vermelhos ao longo de toda a avenida até ao Largo Primeiro de Maio, percurso que o Papa irá percorrer no sábado até à Cidade Alta.
Alguns outros cartazes com a imagem de Leão XIV estão colocados em vários pontos da capital angolana, com inscrições como “Paz, Fé, Unidade, Esperança”, “Bem-vindo a Angola” ou “Abençoe Angola”, recordando o lema da visita “Peregrino da Esperança, Reconciliação e Paz”.
A partir do fim do dia de hoje algumas ruas e locais de estacionamento vão ser encerrados ao trânsito.

